[Ayna]
Calcei a sapatilha. O vulto se virou e eu senti uma dor. Uma dor aguda no meu coração, senti como se ele fosse explodir dentro de mim, e antes de descobrir isso eu corri, em disparada, trêmula.
- ANYA, ANYA! Consegue sentir isso?! - Enquanto corria pela calçada vazia, sentia aquele vento indo contra mim. Mas eu estava rápida, e ria. Olhei para trás e não vi nenhum sinal daquele vulto. Dei um salto e abri os braços, como se fosse voar.
Senti a consciência da Anya despertando.
- Ei! Olha lá. - Apontei para a entrada da cidade, as luzes brilhando, os carros e todas aquelas pessoas. Percebi que Anya ria também. Uma pena que ela não podia sair. Mas foi isso na verdade, que nos fez amigas, meio que siamesas não?
Vamos até lá! Quero conhecer a cidade de noite!! Escutei-a.
Acelerei, cortando as pessoas, eu queria chegar no centro. Ouvi falar que aqui a noite, as coisas são mais vivas. E eu realmente queria me sentir viva.
- Olhe Anya!! - Parei repentinamente, maravilhada. O movimento e os burburinhos deixavam tudo mais brilhante, era incrível.
Porque não né?
Voltei a correr até o centro. Havia uma torre enorme e luminosa lá, queria subir, precisava subir. Sentia que algo esperava-me no topo. Afinal, sempre gostei da altura, da segurança que me dava.
Seria demasiado interessante enxergar a cidade lá de cima.
Nenhum comentário:
Postar um comentário