[Ayna]
Meus olhos queimaram-se. Senti-me forte. Anya tinha dormido? Sempre tão fraca.
- O que faço do lado de fora, pois? - Falei para o vazio. Repetindo, andei forte até a rua. Os meus pés vacilantes, eu descalça corria pela grama. Senti umas pontas macias, outras firmes, que pontilhavam meu correr. Me peguei rindo em alguns momentos vagos, até alcançar o portão.
- Fechado? Ora. - Ri baixinho. Vi a tranca já arrumada.
Apoiei os pés no canto da grande, alta e pontuda. Escalei com a ajuda das mãos, me cortei aqui e ali até cair fora da minha confinação de primeira classe. Anya não precisava de tudo aquilo. Por que cuidavam tanto? Embora ela nunca fosse livre como eu, sentia um pouco de pena. Olhei para minhas mãos. Mais perto do ombro, me cortara na grade, nada muito grave. Arranquei um pedaço de baixo do vestido branco, o tecido caído e fino, se rasgou facilmente.
Amarrei junto ao braço.
- Anya, está acordada? - Perguntei baixo, sem resposta imediata. As barras de minhas vestes que tocavam o joelho, estavam bem feitas. Exceto pelo pedaço arrancado. Andei mais um pouco até as calçadas. Lembrei que noutro dia, deixara um sapato fechado ali perto por dentre os arbustos.
- Onde estás? - Apalpei as gramíneas, até encontrar a sapatilha branca e firme.
- Anya, preciso que acorde. Você deve ver isto! - Levantei a cabeça até a rua. Havia alguém nos olhando, não?
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