domingo, 10 de maio de 2015

Relatos de uma garota semi-destruída 3

[Ayna]

Calcei a sapatilha. O vulto se virou e eu senti uma dor. Uma dor aguda no meu coração, senti como se ele fosse explodir dentro de mim, e antes de descobrir isso eu corri, em disparada, trêmula.

- ANYA, ANYA! Consegue sentir isso?! - Enquanto corria pela calçada vazia, sentia aquele vento indo contra mim. Mas eu estava rápida, e ria. Olhei para trás e não vi nenhum sinal daquele vulto. Dei um salto e abri os braços, como se fosse voar.
Senti a consciência da Anya despertando. 
- Ei! Olha lá. - Apontei para a entrada da cidade, as luzes brilhando, os carros e todas aquelas pessoas. Percebi que Anya ria também. Uma pena que ela não podia sair. Mas foi isso na verdade, que nos fez amigas, meio que siamesas não?
Vamos até lá! Quero conhecer a cidade de noite!! Escutei-a.

Acelerei, cortando as pessoas, eu queria chegar no centro. Ouvi falar que aqui a noite, as coisas são mais vivas. E eu realmente queria me sentir viva.

- Olhe Anya!! - Parei repentinamente, maravilhada. O movimento e os burburinhos deixavam tudo mais brilhante, era incrível.
Porque não né?
Voltei a correr até o centro. Havia uma torre enorme e luminosa lá, queria subir, precisava subir. Sentia que algo esperava-me no topo. Afinal, sempre gostei da altura, da segurança que me dava.

Seria demasiado interessante enxergar a cidade lá de cima.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Relatos de uma garota semi-destruída 2

[Ayna]

Meus olhos queimaram-se. Senti-me forte. Anya tinha dormido? Sempre tão fraca.
- O que faço do lado de fora, pois? - Falei para o vazio. Repetindo, andei forte até a rua. Os meus pés vacilantes, eu descalça corria pela grama. Senti umas pontas macias, outras firmes, que pontilhavam meu correr. Me peguei rindo em alguns momentos vagos, até alcançar o portão.
- Fechado? Ora. - Ri baixinho. Vi a tranca já arrumada.
Apoiei os pés no canto da grande, alta e pontuda. Escalei com a ajuda das mãos, me cortei aqui e ali até cair fora da minha confinação de primeira classe. Anya não precisava de tudo aquilo. Por que cuidavam tanto? Embora ela nunca fosse livre como eu, sentia um pouco de pena. Olhei para minhas mãos. Mais perto do ombro, me cortara na grade, nada muito grave. Arranquei um pedaço de baixo do vestido branco, o tecido caído e fino, se rasgou facilmente.
Amarrei junto ao braço.
- Anya, está acordada? - Perguntei baixo, sem resposta imediata. As barras de minhas vestes que tocavam o joelho, estavam bem feitas. Exceto pelo pedaço arrancado. Andei mais um pouco até as calçadas. Lembrei que noutro dia, deixara um sapato fechado ali perto por dentre os arbustos.
- Onde estás? - Apalpei as gramíneas, até encontrar a sapatilha branca e firme. 
- Anya, preciso que acorde. Você deve ver isto! - Levantei a cabeça até a rua. Havia alguém nos olhando, não?

Relatos de uma garota semi-destruída.

[Anya]

Talvez fosse culpa dos meus pais. Talvez fosse minha mesmo. 

Se eles estivessem perto seria melhor. E não do outro lado do Oceano. Isso tornava a escola mais difícil, e minha adolescência vazia também. Não me sentia segura nunca. Mesmo com tanta gente envolta de mim, sempre me mimando, eu queria ser mais livre.

- Senhorita, é hora de dormir. - Robs bate na porta do meu quarto.
Ele percebe o silêncio e se retira. Naquela casa enorme e vaga, escutei o eco de seus passos. Mas realmente, não queria dormir nesta noite. 
Abri a a grande janela em minha frente. Senti o vento forte me convidando a sair. Não escutava o barulho da cidade, a mansão era afastada o que a tornava mais segura, na visão dos meus pais. Sendo que para mim, era o contrário.
O tempo cheirava a mato, orvalho. A Lua estava alta, conseguia ver a sombra das árvores, mas não da grama, curta e sempre aparada. Andei para a ponta da sacada, a fim de enxergar as luzes do centro. Vi os pontos. Suspirei.
- Só esta noite, noutra, juro, dormirei. - Sussurrei. Agarrei a cerca ao redor da sacada, e me joguei de 8 metros. Devo ter caído rolando, mas certamente, doeu. Não descrevi a queda em minha mente. Caminhei abaixada, silenciosamente, até sair. Ouvi carros passando pela rua que estava bem mais a frente. Eu estava perto da sacada, lenta, andava e remoía poucos pensamentos. Estava atrapalhada, e lá naquele momento, meu eu adormeceu, e outro acordou. Eu não tinha muito controle sobre o outro eu. Não sabia como lidar, mas era divertido.

sábado, 7 de março de 2015

Início

Oi.

De agora em diante, serei a narradora das estórias.
Serei o eu e o eu lírico.
Serei a vida por entre as palavras.
Serei as palavras por entre a vida.
Serei o tudo no nada.

Quero encher, encher os dias de vocês com a maravilha que são as palavras, mas ainda mais, o significado delas. 

Espero que leiam. E preservem um pouco do amor nessas linhas, em um mundo tão destruído pela falta delas.

Meu nome é Beatriz.

Não preciso que guardem o nome, preciso que guardem o que ele escreve.

Obrigada, por você atrás da tela.

Tchau.